Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Filhos de Putagal

 

Nos tempos que correm, Portugal dos portugueses é uma lenda mal contada aos inúmeros rebentos cancerígenos que minam a nossa sociedade. Já lá vão os tempos de Reis e heróis portugueses, tempos de graça e de renome, tempos que Portugal tinha P grande e de província espanhola só tinha mesmo o insulto.

 

Portugal foi no seu tempo um pais de orgulho, de dentro e de fora, invejas mundanas e ambições corruptas alimentadas por migalhas estrangeiras levaram Portugal a ficar um pais serviçal, sem espinha, sem coragem sequer para levantar a cabeça a qualquer politica mal engembrada que por ai venha.

 

Veja-se o estado do pais, aqueles de vocês menos educados ou mais formatados também sao convidados a fazer um esforço, mesmo que seja para chegarem à conclusão que pensar custa muito e levantar a cabeça ainda custa mais.

 

Olhe-se para qualquer lado, e vê-se ignorância, percebe-se estupidez, cheira mal de todos os cantos da nossa terra, e o que não é ignorância, que por muito má que seja, existe ainda a possibilidade de desculpabilizar, será com certeza maldade e egoísmo. Vê-se as responsabilidades apontadas pela negligencia da maioria das instituições e corporações, obras rodoviárias mal feitas e bem roubadas que levam a infelizes acidentes causadores de muitas dores e desgraças para quem não tem a mínima culpa. Monopolização de serviços e produtos, falsas concorrências, leis abonatórias da exploração de quem trabalha, a lista é grande e bastante entediante, mas estas coisas estão por cá e aparecem todos os dias provas concretas das suas intenções.

 

Assim se vê como a corrupção se torna avida, empenhada, descuidada, sim, pois corrupção sempre houve, mas feita de uma maneira diferente, discreta na maior parte dos casos, e conseguia mesmo assim, algumas vezes, ser respeitosa para os demais. Hoje, vê-se ! Á frente dos nossos olhos roubam-nos o pão de nossas mesas, proclamam que por razoes justas e eficazes para equilibrar as finanças, reformulam as carreiras profissionais, quotizando-as com a abertura legal e oficial de tachos para os copinchas do partido, reestruturam por fim os valores salariais para beneficiar as posições de topo e reduzirem nos que se iniciam. Na ultima vez que vi, Portugal era um dos países com o grau de riqueza pior distribuido em toda a Europa, sendo assim justifica-se claro, que damos mais a quem já tem e tiramos a quem precisa. Burlas de terrenos, legislações criadas apenas para servir algumas pessoas, investimentos direccionados para obras sem qualquer necessidade, dinheiros públicos usados nos maiores luxos injustificados, tudo a quando às pessoas pedem sacrifício.

Felizmente o português tem memoria curta e desinteressada, não se apoquentem o Euro 2008 está para breve e isso é muito mais importante, afinal, é onde residem os grandes heróis de Portugal.

 

Mas estamos felizes, afinal somos uma democracia, todos temos opinião e direito a ela, claro, afinal é por isso que enchemos o peito, quando falamos de liberdade. Democracia, nem vê-la, venham alguns de vocês falar que sim e mais também, que temos democracia porque escolhemos e votamos, e por assim dizer..  somos livres. Falem vocês, no que quiserem falar, lembrem-se dos papagaios do Congo.. não vou sequer debater ideias politizadas e propriedades beneficentes para a bolsa de alguns, Factos existem para alem disso, e esses estão por todo o lado, visíveis e indiscutíveis para quem os quiser ver.

 

 

Lembrem-se que  Portugal teve uma revolução, linda, florida, inigualável em qualquer outro lado, tal como o bom português sempre fez. Aqueles que ainda se lembram de aprender e discutir as razoes ou que presenciaram activamente, seja envolvidos ou não, sabem certamente do que falo, datas não é preciso, convenhamos, não quero desiludir alguns de vós que pensem que afinal Abril não é a data da morte do Rei de Portugal.

 

Mas ao que me lembro desse tempo difícil e opressivo anterior ao cravo, onde a expressão era controlada e proibida, onde o medo imperava, onde a pobreza prosperava, nesses tempos onde as famosas policias andavam a caçar os insurgentes e manifestantes, onde os apontadores podiam estar por todo o lado, instigados e recompensados por denunciar o vizinho. Seria sim,  nesses tempos que acharia razoável a existência de policias controladoras, que  de modos mais ou menos directos, amedrontam quem tenha coragem para se manifestar, será discreto o acto ministerial que se passou agora com a perseguição ao direito de manifestação? Será legitimo as leis abonatorias de denuncias e perseguiçoes por opiniao que ainda no ano passado o nosso governo silenciosamente aprovou?

 

 Certamente discreto foi, porque para alem dos lesados directamente que não podem falar  e dos amedrontados que não falam, juntemos também os cobardes que tem medo pela sua carreira ou familia, e já agora mais alguns que sabem mas não é com eles ou sao simplesmente bons demais e inimputáveis, duvido assim, que tenha sido um acto muito notado ou levado a sério, quer pela sua violência, pela sua cobardia, ou que seja simplesmente pela falta de ética, sim, duvido que fosse um acto notado por muitos e que tenha incomodado ainda menos os poucos que dele souberam. E tão pouco ou nada recordado que dir-se-á, que coisas destas não acontecem certamente, isto é coisa desses tempos que felizmente já passaram.

 

A Educação portuguesa já não existe, desapareceu faz alguns anos, deve ter certamente emigrado ou tirado umas férias económicas depois de ser abruptamente despedida e exilada do pais. Educação que pelo menos dava uma restia de esperança para quem ainda ousasse pensar. No seu lugar temos agora uma boa formação, formatada a seus pares, que já por sua vez perderam qualquer honra e orgulho. Esta formatação vê-se espalhada pelos cargos mais abonados da gerência portuguesa, categorias excelentes, vinculadas pela integridade e boa formação, ou não parem eles de se auto promoverem, não vá alguém se esquecer ou ter um momento esporádico de lucidez. Mas não só nos altos cargos param estas excelências produzidas, em todo lado já se pode encontrar iniciados nesta nova disciplina.

 

Hoje como sabem para desviar a atenção de  mais uns quantos assuntos que convem abafar, fala-se sobretudo nas questões da politica de educação, é moda, e alem disso é necessário para criar a fricção necessária para justificar a sua mudança. Fala-se de mudanças no ensino, reformas para reformar a reforma anterior, politicas de gestão interna, atribuição de cargos a excelências doutas de grande saber e discernimento, avaliações por comissão, entre outras por demais já faladas em muitos locais. É também de conhecimento geral que o estado da profissão se encontra desfeita sobre uma incalculável pressão de comissões organizadas para o efeito, não é novo para quem sabe do que falo, e sabem como funciona. Publicamente hostilizam a favor de éticas e morais produzidas, falácias sociais para enganar os mais embrutecidos, ou seja, maquinas de manipulação da opinião publica, juntando-se os cobardes e vendidos da profissão, os que lambem as botas ou pior, e por fim uma cambada de deixa andar, armados em galinhos da india. Por assim dizer sao estas as massas que perfazem o sector profissional de qualquer profissão portuguesa, não excluindo os professores.

 

É notável que os que restam se manifestem, que se unam, que façam todo o possível para vencerem o descrédito a que estão a ser submetidos, é louvável terem coragem de mostrar a cara e o numero do BI quando solicitado, mas que infelizmente de nada adiantará pois as “maiorias”, que neste pais democratico é o que conta, sao  quase todos desprovidos da bem dita espinha dorsal que faz o Homem caminhar de pé, assim, curvam-se bem curvadinhos às promessas dos superiores, furam as greves e planos dos colegas, denunciam as intenções de boicotes e obedecem cegamente por medo e cobardia não assumida as ordens dos ministérios.

 

Por acaso pequenas almas queixosas, daqueles que se amedrontam e se vendem, já alguma vez pensaram que sao os principais culpados pelos males da vossa profissão e do estado da vossa terra? a resposta é simples e clara e vocês sabem qual é.

 

Sendo assim, os professores, juntam-se agora a todas as outras profissões executivas, bem formatadas com coleira bonita e bem apertada, estimulados pelo reflexo de Pavlov disfarçado sobre a crença do profissional ambicioso e bem intencionado, ou não sejam eles ainda uma pedra no sapato de algum grupo multinacional que queira vir cá oferecer empregos de limpa pias aos portugueses.

 

Realmente a Educação é um dos pilares sociais que ainda dá algum trabalho aos dirigentes, precisamos mudar isso obviamente pensam eles, pessoas que tenham opinião divergente sao infelizes, pessoas que pensem, devem chegar certamente a conclusões que as deprimem, alem disso, pessoas que discutam e questionem nunca vão aceitar as politicas governamentais. É necessário por isso abandalhar de tal forma o caminho dos novos de amanha para que seja possível criar assim um excelente domínio sem qualquer hipótese de argumentação ou discussão, os novos, vão aceitar sem questionar e até sem se importar com qualquer coisa que os governantes lhes apliquem.

 

Houve outrora tempos em que a educação não tentava criar delinquentes, desobedientes às regras familiares, eticamente instáveis e livres de qualquer regra moral social. Hoje, temos verdadeiros exames de burrice, facilitismos estupidificantes, faltas de comportamento recompensadas em plena escola, desrespeito livre de qualquer castigo, no fim, saem

"adultizados", sem duvida aptos para o mundo, fortes e intelectualmente seguros, dotados de um vocabulário digno de assustar qualquer um, existem sem reclamar, agem sem pensar, comem e alimentam-se da publicidade barata e concursos televisivos, exibem os varios diplomas que adquiriram, vivem com medo da criminalidade que anda solta por ai, grunhem selvaticamente nos jogos de futebol e depois de uma boa cerveja de lata, até exercem o seu direito de cidadão informado e assinam numa eximia riqueza literária o boletim de voto.

 

Relembro assim uma quadra que deve ser fácil para muitos de vocês,  mesmo aqueles supracitados anteriormente.

 

 “Remember, remember the Fifth of November,

The Gunpowder Treason and Plot,

I know of no reason

Why Gunpowder Treason

Should ever be forgot.”

 


Escrito por Alma às 16:56
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4 comentários:
De Telmo a 6 de Outubro de 2008 às 20:37
Falas mal de portugal ao inicio, mas antes de veres os defeitos no teu pais compara aos outros, e nao digas que comparaste.

Eu vivi em Portugal e de a quatro anos para ca tou a viver em França.
Fala-se que a França e um bom pais muito evoluido, quer seja na medicina na escolaridade .
Na medicina ainda e pior que Portugal, se nao tiveres dinheiro para curar-te bem podes morrer a espera que o estado resolva de te curar o meu pai teve 3 anos a espera de uma operaçao e no final fez-la mas teve de a pagar ele, porque senao ainda hoje estava ele em casa sem se poder mexer. Na escolaridade, quando dizes que os porugueses sao ignorantes o que dizes dos franceses? Eu em Portugal tava no 5 ano , e continuei a escola aqui sem problmas , so te queria dizer que o que eu aprendi em ingles, matematica , Ciencias no 8 ano foi exactamente o que eu aprendi em Portugal no 5.
Quando estamos em ingles os outros tratam me como se eu tivesse vivido em inglaterra, mas tambem no 9 ano aprender as cores e os numeros...

Tambem falas das estradas e de outras coisas, a muitas pessoas que vivem em França e deizem que Portugal e muito atrasado , mas eu nao vejo aonde essas pessoas deviam morar em aldeias em portugal e depois em frança foram morar para cidades, claro que depois ficam a pensar que Portugal é uma merda...
Fala-se que em França se ganha mais dinheiro, mas nao se diz que tambem se gasta mais.
Eu tou a morar em Paris e tenho nojo, dizes que as ruas de Portugal sao sujas , mas eu digo-te que as ruas de Paris sao piores, merda de cao por todo o lado, lixo nos passeios, enfim...
Nao te vou dar mais defeitos de França pois senao estari aqui o dia todo.
Boa continuaçao.


De Alma a 13 de Outubro de 2008 às 00:16
Obrigado Telmo pelo teu comentário , no entanto tenho que acrescentar alguns dizeres ao teu escrito.

Eu não preciso comparar pontualmente Portugal aos outros países , o mal de Portugal é o mesmo e semelhante a muitos outros, salvo algumas excepções que provavelmente não vão durar muito mais sem sofrer a com esta “contaminação”, devo te dizer que eu critico aqui no meu Pais, critico em qualquer outro do mesmo modo, eu não critico a ignorância mas sim a estupidez e essa prolifera muito mais que a falta de conhecimento. Não aponto falta de progresso, por vezes até acho que se progride é de uma forma desequilibrada . Não acho que as ruas de Portugal sejam assim tão sujas, alias, nem sequer mencionei isso no que escrevi, mas dado que falaste no assunto, o que eu acho é que em Portugal a merda não está espalhada pelas ruas, mas concentrada em alguns locais.

Mais uma vez obrigado pelo teu comentário , até uma proxima,
Alma


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