Domingo, 31 de Janeiro de 2016

Seria por um dia...

2013-foggy-day.jpg

 

 

 

...por um breve dia, serias eu,
sentada, segura, dentro da minha cabeça, junto dos meus sonhos, a ler e a conversar sozinha com os meus sentimentos, que seriam apenas e somente os teus.
Sim os teus, não é confuso, não.. até porque são tao semelhantes na sua essência que não perdem a sua singularidade. Mas são meus e não teus. Mesmo que sintas que são iguais, mas sim, não são de todo meus, na verdade são mesmo teus, porque sei que isso nos une de alguma forma falível e inadequada a uma única vontade de sermos um só.

...mas, Se Por um dia fosses eu,
mas sem eu querer ser tu… porque não quero! não quereria nunca trocar dessa forma, pois Amo-te a ti e ao teu mistério e ao teu Ser sem o compreender. Sim, Amo-te para alem do muito ou do saudável, e queria passar a vida a conhecer-te, se assim pudesse ser, dia após dia, a cada momento, um de cada vez. Lento, sem pressas. Sem mais ninguém. Sempre, para sempre, contigo, de mão dada com os teus olhos que me chamam a todo o instante. ao teu lado se assim pudesse ser, e aí queria crescer, dar-te tudo , oferecer-me a ti, conheceres-me. Melhor do que eu, melhor do que ninguém.

...mas por um dia, apenas um dia,
gostava que tu vivesses o que é ser eu a sentir-te e a pensar em todo o meu conflito do que é ser eu sem ti e o desejo de ser eu contigo.
Olhar-te e desejar não estar onde estou, não, não me entendas mal, eu queria poder amar-te sem barreiras, de forma perfeita. Adequada, confiante de qualidade inquestionável. E fazer-te feliz, sendo feliz, Só eu e tu.

...mas um dia, talvez,
se esse dia chegar, eventualmente irás entender, tudo o que não consegui concluir. Porque por uma ou outra razão não quiseste perceber, que era isso e apenas isso que eu queria para ti e ser contigo, e sim, queria que visses o quanto estava disposto a alterar na minha vida, não, não a mim, eu sou como sou não quero nem vou mudar, mas ao meu redor para te poder ter a ser como me mereces, sem as amarras do passado que é tao presente, e as quais necessito de largar.

...mas um dia, não são dias como já antes se dizia,
e o tempo que precisei foi tempo demais, sim, foi demais, e tu? tu não pudeste ou não quiseste esperar e na volta da maré vi-te partir, num adeus lento e ondulado. Como quem parte para as ilhas cinzentas de nevoeiro cerrado... Eu?, eu Olhei-te terno, atento mas moribundo e sem te poder seguir. Ao longe a tua sombra desvanecia-se a cada pulsar do meu corpo, e saudade mistura-se com a raiva do que não foi vivido.

...mas nem por um dia, Tive alguma duvida de quem Tu foste, e és, sim és, aquele sonho que só aparece uma vez na vida de muitas pessoas e faz um sentimento tornar-se eterno, por ti resisti e enfrentei sombras que só existiam na escuridão, lutei lutas invisíveis para todos, menos para mim e derramei o meu e o sangue dos outros que de nada tinham culpa, expus-me perante mim como nunca antes o tinha feito. E no fim,

perdi..

 

 

..

sinto-me: ...à porta do lado de fora
música: Beneath a moonless sky

Escrito por Alma às 23:59
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1 comentário:
De Dark_Side_Girl a 11 de Fevereiro de 2016 às 23:51
http://www.chinaoilpaintinggallery.com/oilpainting/ivan-aivazovsky/lunar-night-1857.jpg

...por um breve dia serias eu,

sentado, seguro, dentro da minha cabeça, junto dos meus sonhos, a ler e a conversar sozinho com os meus sentimentos, que seriam apenas e somente os teus.

...mas, Se Por um dia fosses eu,

(..) Sim, Amo-te para alem do muito ou do saudável ou não estaria sentada a escrever este texto. Ridícula… ridículo como qualquer carta de amor, já dizia Pessoa. O ridículo de se saber da verdade, de ver as mentiras e ainda assim ficar… Ir ficando, ficando, ficando. Cada dia uma agonia maior.
Quanto mais amor, menos esperança, mais sufoco. Os dias iguais, todos inalteráveis, sucedem-se uns aos outros num abismo entre mim e o outro lado do meu sorriso. E de cada vez que se tenta fugir um alimento ao coração encarniçado com mais engano, mais teatro mais fingimento…

...mas por um dia, apenas um dia,

gostava que tu vivesses o que é ser eu a sentir-te e a pensar em todo o meu conflito do que é ser eu sem ti e o desejo de ser eu contigo!
Olhar-te e desejar não estar onde estou. O amor não é invisível aos olhos. O amor quando existe é incontornável, inquestionável, imortal e tão firme como uma parede de ferro. O amor leva tudo à frente… Não olha a desfechos, não tem medo. O amor é na verdade pouco corajoso porque faz pela cegueira. Teme mais a ausência que qualquer outra consequência.

Não… Não é amor então! Por isso à que deixar ir aquilo que nunca foi nosso…
...mas um dia, talvez,

se esse dia chegar, eventualmente irás entender, tudo o que tentei explicar-te: Que a distância é legitima nas circunstâncias certas e que a decisão que tomaste é acertada e morre de razão mas que o amor não entende dessas coisas. Que me falaste numa língua que ficou nas primeiras vezes que te vi, ainda longe, ainda capaz de aceitar e completamente incompetente em testemunhar o mal que me iria fazer.

Não… não pode ter sido amor!

...mas um dia, não são dias como já antes se dizia,

e o tempo que precisaste foi tempo demais, sim, foi demais, e tu? E tu seguiste o teu caminho imune a todos os beijos, impune de todas as lágrimas, incapaz de enfrentar as promessas vãs, os destinos por cumprir e acima de tudo um transbordar de transparência que nunca antes tinhas assistido. Ou tinhas?

...mas nem por um dia tive a certeza de quem Tu foste e és! E nessa incerteza do costume desmancho sentimentos incertos, ilusórios, perdidos e contraditórios e escolho ser feliz. Amar é libertar! Eu amo-me e o que sinto por ti, seja lá o que for… Já vai gasto, ruminado, meio consumido e pouco claro… Não tem ar de amor… Mas é desmedido e destemido o suficiente para te libertar!

Fui para lá dos meus valores, das minhas crenças, lutei quando já vinha sem forças e arrumei tudo com certezas para te as poder dar. Quis dar-te o mundo e abri o meu só para ti…
E no fim? E no fim perdeste? Não. Quem perdeu fui eu, que em mim tudo permanece mas nada fica!
perdi…

sinto-me: ...à porta do lado de dentro
música: Point of no return


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