Domingo, 31 de Janeiro de 2016

Seria por um dia...

2013-foggy-day.jpg

 

 

 

...por um breve dia, serias eu,
sentada, segura, dentro da minha cabeça, junto dos meus sonhos, a ler e a conversar sozinha com os meus sentimentos, que seriam apenas e somente os teus.
Sim os teus, não é confuso, não.. até porque são tao semelhantes na sua essência que não perdem a sua singularidade. Mas são meus e não teus. Mesmo que sintas que são iguais, mas sim, não são de todo meus, na verdade são mesmo teus, porque sei que isso nos une de alguma forma falível e inadequada a uma única vontade de sermos um só.

...mas, Se Por um dia fosses eu,
mas sem eu querer ser tu… porque não quero! não quereria nunca trocar dessa forma, pois Amo-te a ti e ao teu mistério e ao teu Ser sem o compreender. Sim, Amo-te para alem do muito ou do saudável, e queria passar a vida a conhecer-te, se assim pudesse ser, dia após dia, a cada momento, um de cada vez. Lento, sem pressas. Sem mais ninguém. Sempre, para sempre, contigo, de mão dada com os teus olhos que me chamam a todo o instante. ao teu lado se assim pudesse ser, e aí queria crescer, dar-te tudo , oferecer-me a ti, conheceres-me. Melhor do que eu, melhor do que ninguém.

...mas por um dia, apenas um dia,
gostava que tu vivesses o que é ser eu a sentir-te e a pensar em todo o meu conflito do que é ser eu sem ti e o desejo de ser eu contigo.
Olhar-te e desejar não estar onde estou, não, não me entendas mal, eu queria poder amar-te sem barreiras, de forma perfeita. Adequada, confiante de qualidade inquestionável. E fazer-te feliz, sendo feliz, Só eu e tu.

...mas um dia, talvez,
se esse dia chegar, eventualmente irás entender, tudo o que não consegui concluir. Porque por uma ou outra razão não quiseste perceber, que era isso e apenas isso que eu queria para ti e ser contigo, e sim, queria que visses o quanto estava disposto a alterar na minha vida, não, não a mim, eu sou como sou não quero nem vou mudar, mas ao meu redor para te poder ter a ser como me mereces, sem as amarras do passado que é tao presente, e as quais necessito de largar.

...mas um dia, não são dias como já antes se dizia,
e o tempo que precisei foi tempo demais, sim, foi demais, e tu? tu não pudeste ou não quiseste esperar e na volta da maré vi-te partir, num adeus lento e ondulado. Como quem parte para as ilhas cinzentas de nevoeiro cerrado... Eu?, eu Olhei-te terno, atento mas moribundo e sem te poder seguir. Ao longe a tua sombra desvanecia-se a cada pulsar do meu corpo, e saudade mistura-se com a raiva do que não foi vivido.

...mas nem por um dia, Tive alguma duvida de quem Tu foste, e és, sim és, aquele sonho que só aparece uma vez na vida de muitas pessoas e faz um sentimento tornar-se eterno, por ti resisti e enfrentei sombras que só existiam na escuridão, lutei lutas invisíveis para todos, menos para mim e derramei o meu e o sangue dos outros que de nada tinham culpa, expus-me perante mim como nunca antes o tinha feito. E no fim,

perdi..

 

 

..

sinto-me: ...à porta do lado de fora
música: Beneath a moonless sky

Escrito por Alma às 23:59
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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2010

O peso de pó acumulado...

Mais um livro para encher de pó nas nossas estantes...

2009 já está fechado e à espera de sequela, novo ano 2010!

Nao deixa de ter alguma piada, ver o passar dos diferentes segundos, acobardados pela chegada dos novos tempos de mudança, esperança, de tudo o que incessantemente quisemos alcançar no tempo que passou e se escreveu no livro que agora se encontra fechado.

As multidões rejubilam de alegria e furor com o acontecimento do ano, nesse dia chovem promessas, resoluções, atiram-se passados para trás das costas e muitas vezes até se cometem excessos e erros por ser uma altura de passagem única no ano, acreditam mesmo nos novos inícios e eternos recomeços, segundas, terceiras e infindáveis oportunidades de mudança.. agora é que é, este ano vai ser diferente..e assim permanecem ano após ano...   ...capitulo após capitulo...  sem se lembrarem do que já escreveram para trás...

O passar do "ano" é todos os dias, todos os segundos, todas as paginas da nossa vida, todos as minúsculas e quase inexistentes fracções de tempo onde escrevemos uma decisão qualquer e com isso iniciamos um outro percurso, mesmo que muito próximo do que tínhamos anteriormente escolhido e percorrido. Esse sim, é o nosso "fim de ano" o nosso "fecho de capitulo", não é aquele que todos comercialmente comemoram e gastam mais do que podem porque é uma altura do ano que só acontece uma vez.

Realmente é, não conheço mais nenhuma altura onde seja 31 de Dezembro no que nesse mesmo dia, e por piada, só volta a repetir no ano seguinte, vá-se lá perceber estas coisas.


 


Escrito por Alma às 03:00
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Filhos de Putagal

 

Nos tempos que correm, Portugal dos portugueses é uma lenda mal contada aos inúmeros rebentos cancerígenos que minam a nossa sociedade. Já lá vão os tempos de Reis e heróis portugueses, tempos de graça e de renome, tempos que Portugal tinha P grande e de província espanhola só tinha mesmo o insulto.

 

Portugal foi no seu tempo um pais de orgulho, de dentro e de fora, invejas mundanas e ambições corruptas alimentadas por migalhas estrangeiras levaram Portugal a ficar um pais serviçal, sem espinha, sem coragem sequer para levantar a cabeça a qualquer politica mal engembrada que por ai venha.

 

Veja-se o estado do pais, aqueles de vocês menos educados ou mais formatados também sao convidados a fazer um esforço, mesmo que seja para chegarem à conclusão que pensar custa muito e levantar a cabeça ainda custa mais.

 

Olhe-se para qualquer lado, e vê-se ignorância, percebe-se estupidez, cheira mal de todos os cantos da nossa terra, e o que não é ignorância, que por muito má que seja, existe ainda a possibilidade de desculpabilizar, será com certeza maldade e egoísmo. Vê-se as responsabilidades apontadas pela negligencia da maioria das instituições e corporações, obras rodoviárias mal feitas e bem roubadas que levam a infelizes acidentes causadores de muitas dores e desgraças para quem não tem a mínima culpa. Monopolização de serviços e produtos, falsas concorrências, leis abonatórias da exploração de quem trabalha, a lista é grande e bastante entediante, mas estas coisas estão por cá e aparecem todos os dias provas concretas das suas intenções.

 

Assim se vê como a corrupção se torna avida, empenhada, descuidada, sim, pois corrupção sempre houve, mas feita de uma maneira diferente, discreta na maior parte dos casos, e conseguia mesmo assim, algumas vezes, ser respeitosa para os demais. Hoje, vê-se ! Á frente dos nossos olhos roubam-nos o pão de nossas mesas, proclamam que por razoes justas e eficazes para equilibrar as finanças, reformulam as carreiras profissionais, quotizando-as com a abertura legal e oficial de tachos para os copinchas do partido, reestruturam por fim os valores salariais para beneficiar as posições de topo e reduzirem nos que se iniciam. Na ultima vez que vi, Portugal era um dos países com o grau de riqueza pior distribuido em toda a Europa, sendo assim justifica-se claro, que damos mais a quem já tem e tiramos a quem precisa. Burlas de terrenos, legislações criadas apenas para servir algumas pessoas, investimentos direccionados para obras sem qualquer necessidade, dinheiros públicos usados nos maiores luxos injustificados, tudo a quando às pessoas pedem sacrifício.

Felizmente o português tem memoria curta e desinteressada, não se apoquentem o Euro 2008 está para breve e isso é muito mais importante, afinal, é onde residem os grandes heróis de Portugal.

 

Mas estamos felizes, afinal somos uma democracia, todos temos opinião e direito a ela, claro, afinal é por isso que enchemos o peito, quando falamos de liberdade. Democracia, nem vê-la, venham alguns de vocês falar que sim e mais também, que temos democracia porque escolhemos e votamos, e por assim dizer..  somos livres. Falem vocês, no que quiserem falar, lembrem-se dos papagaios do Congo.. não vou sequer debater ideias politizadas e propriedades beneficentes para a bolsa de alguns, Factos existem para alem disso, e esses estão por todo o lado, visíveis e indiscutíveis para quem os quiser ver.

 

 

Lembrem-se que  Portugal teve uma revolução, linda, florida, inigualável em qualquer outro lado, tal como o bom português sempre fez. Aqueles que ainda se lembram de aprender e discutir as razoes ou que presenciaram activamente, seja envolvidos ou não, sabem certamente do que falo, datas não é preciso, convenhamos, não quero desiludir alguns de vós que pensem que afinal Abril não é a data da morte do Rei de Portugal.

 

Mas ao que me lembro desse tempo difícil e opressivo anterior ao cravo, onde a expressão era controlada e proibida, onde o medo imperava, onde a pobreza prosperava, nesses tempos onde as famosas policias andavam a caçar os insurgentes e manifestantes, onde os apontadores podiam estar por todo o lado, instigados e recompensados por denunciar o vizinho. Seria sim,  nesses tempos que acharia razoável a existência de policias controladoras, que  de modos mais ou menos directos, amedrontam quem tenha coragem para se manifestar, será discreto o acto ministerial que se passou agora com a perseguição ao direito de manifestação? Será legitimo as leis abonatorias de denuncias e perseguiçoes por opiniao que ainda no ano passado o nosso governo silenciosamente aprovou?

 

 Certamente discreto foi, porque para alem dos lesados directamente que não podem falar  e dos amedrontados que não falam, juntemos também os cobardes que tem medo pela sua carreira ou familia, e já agora mais alguns que sabem mas não é com eles ou sao simplesmente bons demais e inimputáveis, duvido assim, que tenha sido um acto muito notado ou levado a sério, quer pela sua violência, pela sua cobardia, ou que seja simplesmente pela falta de ética, sim, duvido que fosse um acto notado por muitos e que tenha incomodado ainda menos os poucos que dele souberam. E tão pouco ou nada recordado que dir-se-á, que coisas destas não acontecem certamente, isto é coisa desses tempos que felizmente já passaram.

 

A Educação portuguesa já não existe, desapareceu faz alguns anos, deve ter certamente emigrado ou tirado umas férias económicas depois de ser abruptamente despedida e exilada do pais. Educação que pelo menos dava uma restia de esperança para quem ainda ousasse pensar. No seu lugar temos agora uma boa formação, formatada a seus pares, que já por sua vez perderam qualquer honra e orgulho. Esta formatação vê-se espalhada pelos cargos mais abonados da gerência portuguesa, categorias excelentes, vinculadas pela integridade e boa formação, ou não parem eles de se auto promoverem, não vá alguém se esquecer ou ter um momento esporádico de lucidez. Mas não só nos altos cargos param estas excelências produzidas, em todo lado já se pode encontrar iniciados nesta nova disciplina.

 

Hoje como sabem para desviar a atenção de  mais uns quantos assuntos que convem abafar, fala-se sobretudo nas questões da politica de educação, é moda, e alem disso é necessário para criar a fricção necessária para justificar a sua mudança. Fala-se de mudanças no ensino, reformas para reformar a reforma anterior, politicas de gestão interna, atribuição de cargos a excelências doutas de grande saber e discernimento, avaliações por comissão, entre outras por demais já faladas em muitos locais. É também de conhecimento geral que o estado da profissão se encontra desfeita sobre uma incalculável pressão de comissões organizadas para o efeito, não é novo para quem sabe do que falo, e sabem como funciona. Publicamente hostilizam a favor de éticas e morais produzidas, falácias sociais para enganar os mais embrutecidos, ou seja, maquinas de manipulação da opinião publica, juntando-se os cobardes e vendidos da profissão, os que lambem as botas ou pior, e por fim uma cambada de deixa andar, armados em galinhos da india. Por assim dizer sao estas as massas que perfazem o sector profissional de qualquer profissão portuguesa, não excluindo os professores.

 

É notável que os que restam se manifestem, que se unam, que façam todo o possível para vencerem o descrédito a que estão a ser submetidos, é louvável terem coragem de mostrar a cara e o numero do BI quando solicitado, mas que infelizmente de nada adiantará pois as “maiorias”, que neste pais democratico é o que conta, sao  quase todos desprovidos da bem dita espinha dorsal que faz o Homem caminhar de pé, assim, curvam-se bem curvadinhos às promessas dos superiores, furam as greves e planos dos colegas, denunciam as intenções de boicotes e obedecem cegamente por medo e cobardia não assumida as ordens dos ministérios.

 

Por acaso pequenas almas queixosas, daqueles que se amedrontam e se vendem, já alguma vez pensaram que sao os principais culpados pelos males da vossa profissão e do estado da vossa terra? a resposta é simples e clara e vocês sabem qual é.

 

Sendo assim, os professores, juntam-se agora a todas as outras profissões executivas, bem formatadas com coleira bonita e bem apertada, estimulados pelo reflexo de Pavlov disfarçado sobre a crença do profissional ambicioso e bem intencionado, ou não sejam eles ainda uma pedra no sapato de algum grupo multinacional que queira vir cá oferecer empregos de limpa pias aos portugueses.

 

Realmente a Educação é um dos pilares sociais que ainda dá algum trabalho aos dirigentes, precisamos mudar isso obviamente pensam eles, pessoas que tenham opinião divergente sao infelizes, pessoas que pensem, devem chegar certamente a conclusões que as deprimem, alem disso, pessoas que discutam e questionem nunca vão aceitar as politicas governamentais. É necessário por isso abandalhar de tal forma o caminho dos novos de amanha para que seja possível criar assim um excelente domínio sem qualquer hipótese de argumentação ou discussão, os novos, vão aceitar sem questionar e até sem se importar com qualquer coisa que os governantes lhes apliquem.

 

Houve outrora tempos em que a educação não tentava criar delinquentes, desobedientes às regras familiares, eticamente instáveis e livres de qualquer regra moral social. Hoje, temos verdadeiros exames de burrice, facilitismos estupidificantes, faltas de comportamento recompensadas em plena escola, desrespeito livre de qualquer castigo, no fim, saem

"adultizados", sem duvida aptos para o mundo, fortes e intelectualmente seguros, dotados de um vocabulário digno de assustar qualquer um, existem sem reclamar, agem sem pensar, comem e alimentam-se da publicidade barata e concursos televisivos, exibem os varios diplomas que adquiriram, vivem com medo da criminalidade que anda solta por ai, grunhem selvaticamente nos jogos de futebol e depois de uma boa cerveja de lata, até exercem o seu direito de cidadão informado e assinam numa eximia riqueza literária o boletim de voto.

 

Relembro assim uma quadra que deve ser fácil para muitos de vocês,  mesmo aqueles supracitados anteriormente.

 

 “Remember, remember the Fifth of November,

The Gunpowder Treason and Plot,

I know of no reason

Why Gunpowder Treason

Should ever be forgot.”

 


Escrito por Alma às 16:56
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Segunda-feira, 17 de Setembro de 2007

passagem...

.... mais uma vez vi-te de relance ,
desta vez foi num aroma errante e incauto.

Percebi-te, encontrei-te por menos de um instante, estavas ali.. falavas-me, terna, mas eu apenas te ouvia em melodias interrompidas ao som de teclas de um piano moribundo.

Como eu gostava de poder agarrar-te a mão e rir contigo, passear por lugares e sítios que nunca chegaste a conhecer, partiste antes de eu poder dizer aquilo que não sabia, antes de poder compreender porque irias partir.

Deixaste-me a saudade de ser, de olhar o céu e apontar as estrelas,  de sonhar com nuvens e voar livremente num mundo que era nosso.

Vejo-te cada vez mais longe, mais arriscado e doloroso lembrar-me de
ti, como eras e o que me fazias sentir quando me abraçavas, não te vou
voltar a ver, não te vou poder tocar novamente ou olhar-te nos olhos,
não vou mais chorar contigo quando precisavas de chorar e afagar-te o
cabelo ou cantar-te baixinho ao ouvido. Não vou , não, nem mesmo sequer lembrar-me do teu rosto quando te vi pela primeira vez, revejo-me apenas a mim nos teus olhos, num espelho que me assusta ao ver-me agora como sou.

Perdi-me. e a ti..  encontrar-te-ei talvez, a segurar-me pela mão numa trova de morte por cantar, ao relembrar risos e lágrimas num dia qualquer de uma história já contada.
sinto-me: ...
música: all my faith lost

Escrito por Alma às 02:49
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Terça-feira, 29 de Maio de 2007

... Fim?

Pensamos nós em fazer planos, viver a vida amanha e pensar o que vamos fazer depois, gostamos de sonhar com aquele momento especial que vai chegar um dia, com tudo a dar certo se aquele detalhe importante correr bem, vivemos sem aproveitar na verdade os momentos, poucos, que temos,
seja ao lado de quem amamos ou simplesmente com nós proprios, sao esses detalhes esses momentos, aqueles precisos instantes que já nos esqueçemos ou damos pouca relevançia que no fim vao contar para alguma coisa. Que vao contar brevemente ,seja, para nos sentirmos alguem ou para podermos dizer que vale a pena, que valeu a pena.

No entanto olhamos para as maos, pensamos nós que podemos fazer tantas coisas, que temos tempo para tudo e para mais alguma, ficamos à espera, passivos, parados, uns choram outros riem, há quem resmungue com a vida e outros ainda dizem que está optima e corre bem.

E um dia, acaba.
vindo do nada, de uma causa inexistente, aparece o fim, seja ele qual for, no aspecto que tiver. acaba. ficamos com uma imensa quantidade de sonhos por cumprir, depois disso, lamenta-se. pensa-se nos ses, relembra-se os amores e as paixoes, finca-se garras forte no presente, vive-se um momento descendente e pairamos num limbo de incertezas e arrependimentos, nesse momento pode haver um sorriso, aquele que do fundo se sente como uma chama, sorrimos, os olhos brilham e sentimos que secalhar até fomos felizes...sonhamos... e acaba.

 


"E se um dia me faltares, eu nao serei nada
e ao mesmo tempo serei tudo,
porque em teus olhos estao as minhas asas,
e está a onda onde me afogo."

sinto-me: --
música: --

Escrito por Alma às 17:18
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Sábado, 7 de Abril de 2007

Saudade incompreendida...

Sabes que nao podemos voltar atrás,

nem a ser ou a ter o que antes fomos ou tivemos,

Porque o tempo e as pessoas tem o triste e incomodo habito de querer tudo apagar e tudo mudar,

De quererem crescer ou ser, seguir em frente e esquecer,

Mas alguns de nós ainda podemos guardar, guardar tudo,

esses preciosos fragmentos de existência do que somos,

Essas memorias moribundas que insistem em perdurar por tempos afins.

Podemos guardar uma a uma,

Guarda-las numa caixinha pequenina, bem no fundo de nós , ali, palpitantemente escondida,

Que abrimos apenas de vez em quando, de tempos a tempos e até por vezes sem mesmo sabermos o porquê de a abrirmos, espreitamos, lembramos..

fazemos de conta que somos o que tivemos medo de ser,

E é nesse momento, nesse instante presente.. que queremos ter tudo de volta outra vez como era..

 

música: Death Lullaby

Escrito por Alma às 20:53
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Domingo, 10 de Dezembro de 2006

viste ?





Viste a noite a passar ? viste.. tinha umas meias riscadas de prata e uma capa quentinha de breu acolhedor, viste-a, não? Já lá vai , pode ser que da próxima vez tenhas mais atenção e a consigas ver, sabes, o orgulho por vezes não nos deixa ver o que temos perante nós, mas sim, é um pormenor, tenho a certeza que a vais ver numa outra noite.



Esse orgulho que te falo, é como um cemitério de emoções, mutiladas e esquecidas, atoladas em desculpas justas e injustas, propicias ao mal entender e ao recalcar complexado de medos supérfluos, não te lembras de ser assim? Pois.. claro que não, nem te podes lembrar, por ti nunca foste não é, tinhas razão no que fazias e dizias.. claro, essa é uma das grandes vantagens de um orgulho abonado de teimosia satírica, acredita, não há ninguém que te possa gozar mais que o teu próprio orgulho..


 
Olha ali.. repara, lá vai ele.. viste-o? Ali… passou, era o dia, não o viste, vestido de ouro e sedas? ia atrás da noite, tenta sempre apanha-la, diz-se que ela o cativou com a sua beleza, não sabias.. é.. O dia é um amante da noite. Um dos muitos que se entrega sempre a ela, fica ali, permanecendo em seus braços, envolto em brumas de serenidade, ouvindo todas aquelas criaturas que não ousam chegar perto dele durante o seu auge... não o viste pois não ? .. pois.


 
Convenceste-te que o dia é só aquilo que tu vês.. só aquilo que tu consegues ver, dizes-te cego pela luz, e que pouco mais há para ver em algo tão vasto como o universo, limitado pelo teu pequeno mundo não esperava mais de ti, abre os olhos pequena criatura, porque tudo o que te rodeia muda a cada instante da tua vida, e tu com ela, não deixes o teu orgulho cegar-te mais que a luz do dia, permite-te ver através dele.


 
.. olha. Olha aquele ali. Viste-o… aquele que caminha por entre os ventos e os tempos.. estas a ver ? ali. Não? Como não o vês, aquele ali a cantar? Não ? . aquele é o louco, corre sempre atrás dos dois, da noite e do dia, parece nunca os querer perder, nunca os quer deixar passar, mas anda sempre atrás deles.. sempre com eles, louco é o que lhe chamam , mas ele sabe o que faz, traz com ele pouca coisa, só o que com ele pode levar sem o atrasar, olha tudo de frente com um sorriso idiota e segue.. Segue sempre. É louco o que se há de fazer. É ele que faz as mascaras dos homens, nos breves momentos que tem de descanso, artífice da saudade e do desespero.

De que te ris? Dele.. sim, calculei que te risses, é louco não é, tu não gostavas de ser assim pois não ?

Escrito por Alma às 17:45
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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006

Nao esqueci...

 

"Minha esperança desaparecida, és tu?
Que viestes tu trazer aqui, procuras quem morreu e nao voltou? Procuras quem esqueceste e nao pode jamais acompanhar-te? Tu sem saberes o que vais encontrar caminhas em frente, nao o faças ! rogo-te ! esta porta tornou-se maldita, e guardada por quem nem tu podes enfrentar. Neste local tao longe da tua realidade, e do teu proprio penar, quem és? Que sinto agora em ti peso de lamento, e dor sofrega de morte desejada, mas brilhas de azul como o céu, trouxeste-me mais luz que um sol me pode dar, amo-te meu amor pois só tu me trazes a vontade de sorrir que há tanto esqueci, mas é tarde meu amor, tarde, olha em tua volta, o meu tempo passou, eu passei, resta apenas um castigo de que nao posso fugir, sozinha, acorrentada, nesta massa a que chamas casa. Morri meu amor, estou morta, e desta vez nem tu me podes libertar, como vês, é tarde, e como vês, aqui nao vais entrar, nem eu poderei sair. A morte neste local sou eu, pois morri e nao sou mais nada, e de mim ficou só dôr e sofrimento, de quem nao esqueceu e foi esquecida."

Vera, 1945~1960, Portugal 2006

sinto-me: --------
música: Paatos

Escrito por Alma às 13:50
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Sexta-feira, 27 de Outubro de 2006

Coisa Nenhuma

Há momentos, dias, fases de nossas vidas, que nada flui, nada se cria.
Instantes catalisadores de coisa nenhuma,
onde o nada floresce trazendo consigo uma ausência de tudo, de todos...
O nada... é isto.. tão vazio e tão cheio de nada,
do nada sim;
do nada, daquilo que é coisa nenhuma ,
sim; porque o nada tambem preenche e como preenche,
tanto que nao deixa espaço para mais nada nenhum,
o nada, como lhe chamamos, preenche e consome
devora e destroi sonhos e mundos,
não é de hoje e nao será de amanha, 
foi de sempre e de sempre será,
o nada, que é nada por assim dizer,
é apenas aquilo que nao é!
e nao sendo nada, é aquilo que nos faz sentir vazios,
vazios de alma , que escorremos de nós proprios para algum lado escuso,
em nós somente permanece aquilo que não é nem será,
aquilo que não pode ser...
e apenas precisamos de um sorriso, de um olhar...mais nada.

sinto-me: cheio
música: Silentium

Escrito por Alma às 04:51
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Quarta-feira, 11 de Outubro de 2006

... e o tempo quando passa, passa para todos...

Pois assim seria, mas e quando encontramos alguém do nosso passado, alguém que tanto amámos e perdemos devido a razoes tresloucadas do improvável, historias que ficaram por contar e palavras por dizer... aconteceu

O tempo passa, muito tempo, mais de uma dezena dos poucos anos que temos, e de repente depois de todo este tempo está ali, igual. Sim, Igual, não mudou, não nada, nada.. está ali, aquela pessoa que já não tinha imagem em minha memória, que não era nada senão um sentimento que teimava em perdurar, uma fotografia cinzenta gasta pelo tempo,, mas agora está ali, a mesma voz, as mesmas expressões , o sorriso de que não me lembrava mas tanto significa, tudo ....e tudo voltou tão de repente, com tanta força que moveu o tempo por meros instantes.. o tempo não passou.

Mas infelizmente o relógio não pára, mesmo que dê a ilusão de o fazer, o tempo passou e passou bastante, suficiente para mudar-mos tudo varias vezes, sermos diferentes e talvez fazer um ciclo completo e parar-mos no mesmo momento, num outro ponto linear. não sei, sei lá eu.. só sei que o tempo não volta para trás 

 

sinto-me: entre dois mundos
música: Swallow the sun

Escrito por Alma às 13:56
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